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Quarta, 01 Junho 2016

Bandeira de Kátia Abreu no Mapa, plano de desenvolvimento da região do Matopiba é avaliado pelo atual ministro Blairo Maggi

Bandeira de Kátia Abreu no Mapa, plano de desenvolvimento da região do Matopiba é avaliado pelo atual ministro Blairo Maggi
Ministério da Agricultura está avaliando o projeto da fronteira agrícola do Matopiba (foto: Embrapa)

Blairo Maggi, que já foi conhecido como o 'rei da soja', é visto com alguma "esperança" pelas mudanças feitas em suas fazendasUma das principais bandeiras da senadora Kátia Abreu à frente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o Matopiba está sob avaliação da nova gestão da pasta, que tem no comando o também senador Blairo Maggi, do Mato Grosso.

Em termos de investimentos concretos, pouca coisa resultou nas amplas transformações prometidas para a nova fronteira agrícola do país. Muitos anúncios de investimentos bilionários de fundos de investimento, empresários do país e do exterior foram feitos na gestão Kátia Abreu. Porém, até o momento pouca coisa mudou. Entre as ações mais significativas estão a inauguração da sede própria da Embrapa em Palmas (empresa já atuava no Tocantins, com desenvolvimento de ações por toda a região) e a assinatura do projeto de lei que cria a Agência de Desenvolvimento do Matopiba feito por Dilma Rousseff, em Palmas, dias antes de ser afastada pelo Senado.

Especialistas ouvidos pelo UOL afirmam que programas como o Plano Diretor de Desenvolvimento do Matopiba devem ser mantidas e aperfeiçoadas.

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Saiba mais sobre a atuação de Kátia Abreu à frente do Mapa

O maior portal do país fez uma ampla reportagem sobre a gestão da agricultura brasileira. Os focos da reportagem são a agropecuária com baixa emissão de gases estufa, que não desmata e que preserva biodiversidade e recursos naturais, e o desenvolvimento do agronegócio, principalmente no Matopiba.

A reportagem constata que o desenvolvimento sustentável ainda engatinha no Brasil. As iniciativas são poucas e insuficientes, disseram especialistas consultados pelo UOL. “A geração de emprego e renda e a inclusão do pequeno agricultor também são falhas. Contudo, o novo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, que já foi conhecido como o 'rei da soja', é visto com alguma "esperança" pelas mudanças feitas em suas fazendas.

Na visão de ambientalistas, o ex-governador e senador por Mato Grosso, possui perfil mais moderno que o da ex-ministra da Agricultura, Kátia Abreu”, afirma o UOL. "Maggi é um representante do segmento moderno do agronegócio, bem mais do que a sua antecessora, que é pecuarista extensiva em Tocantins", diz Peter May, professor da UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro). Enquanto a cultura da soja se modernizou e reduziu o desmatamento, a pecuária se mantém defasada em tecnologia e é a que mais desmata e emite gases estufa.

MOTOSSERRA DE OURO

Em 2005, Maggi recebeu do Greenpeace o prêmio denominado "Motosserra de Ouro", devido ao desmatamento provocado pela produção de soja. Além de grande produtor, ele representa o setor nas arenas políticas. Contudo, anos depois, o novo ministro se aproximou de práticas agrícolas mais sustentáveis, com políticas de legalização fundiária e monitoramento por satélite de propriedades rurais no Mato Grosso, além de ter participado de compromisso de desmatamento zero.

Kátia Abreu foi contraditória em sua passagem pelo Mapa no que se refere a desenvolvimento sustentável "A relação com ele [Maggi] é difícil, mas é muito mais com a Kátia, que é de enfrentamento. Os setores atrasados eram mais próximos dela. Blairo é mais fácil de dialogar, a cadeia produtiva dele responde mais a demandas do comprador, que está muito mais atento", diz Mario Mantovani, diretor de políticas públicas da Fundação SOS Mata Atlântica. Apesar disso, o atual ministro foi relator daPEC (Proposta de Emenda Constitucional) que derruba o licenciamento ambiental para obras. O projeto é criticado por ambientalistas.

CONTRADIÇÃO DE KÁTIA ABREU

Para Marina Piatto, coordenadora da Iniciativa de Clima e Agricultura do Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola), Kátia Abreu foi contraditória em sua passagem pelo Mapa. "Ela reduziu o Plano ABC (agricultura de baixo carbono) no mesmo ano em que Dilma [Rousseff] assinou o Acordo de Paris para recuperar 20 milhões de hectares de pastagens. Fez promessas internacionais ousadas, mas dentro de casa opera com o mesmo calhambeque", disse.

As principais metas com as quais o Brasil se comprometeu na COP21 (Conferência do Clima de Paris), realizada no final de 2015, envolvem o setor agropecuário. Para contribuir na mitigação do aquecimento global, o país terá que restaurar 15 milhões de hectares de pastagens degradadas e promover 5 milhões de hectares de integração entre lavoura, pecuária e florestas até 2030 – além de zerar o desmatamento e reflorestar 12 milhões de hectares.

Segundo os especialistas, o Ministério da Agricultura precisa deixar de ver o setor ambiental como antagônico. "É importante que a agricultura incorpore as pautas do meio ambiente", diz Mantovani. O Ministério da Agricultura possui orçamento de R$ 1,4 bilhão em 2016 (após corte de R$ 554 milhões sofrido em fevereiro), contra R$ 732 milhões do Meio Ambiente (que teve corte de R$ 64 milhões).

"As áreas que têm de ser conservadas estão dentro de áreas privadas, de fazendeiros. Mas não existe diálogo entre Mapa e MMA (Ministério do Meio Ambiente). A dica para a nova gestão é buscar maior integração porque quem vai pagar a conta das metas climáticas é o produtor rural. Será uma vergonha internacional se comprometer com metas e não cumprir outra vez", diz Piatto.

O Acordo de Paris foi adotado por aclamação por delegados de 195 países em dezembro do ano passado e já foi assinado por 175 nações neste ano. (Com informações do UOL)

Norte Agropecuário

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